Ikigai: o que é, origem japonesa e os 4 círculos
Equipe editorial do Type of You15 min de leitura

Pontos principais
- Ikigai, em japonês, é aquilo que faz a pessoa sentir que vale a pena viver. Pode ser grande ou pequeno e não depende de trabalho ou de renda.
- O diagrama de quatro círculos (o que você ama, o que sabe fazer, o que o mundo precisa e pelo que pagam) vem de um desenho espanhol de 2011 sobre propósito e só ganhou o nome ikigai em 2014.
- A psiquiatra Mieko Kamiya separa duas camadas: o objeto que dá valor à vida e a sensação interna de ikigai, que ela chama de ikigai-kan.
- Estudos japoneses ligam ter ikigai a melhores desfechos de saúde, mas só como associação, e perguntam uma única coisa, sem medir os quatro círculos.
- Os quatro círculos acesos ao mesmo tempo são raros: nas respostas aleatórias simuladas no nosso teste, só cerca de 9% caem no centro.
Ikigai (pronuncia-se i-ki-gai) é, em japonês, aquilo que faz a pessoa sentir que vale a pena estar vivo, e muita gente traduz por razão de ser. Pode ser um emprego, pode ser regar as plantas da varanda toda manhã ou levar o neto à pracinha no fim de semana. Os quatro círculos que aparecem em quase toda busca (o que você ama, o que sabe fazer, o que o mundo precisa e pelo que pagam) vêm de um diagrama espanhol de propósito, de 2011, que um blogueiro rebatizou de ikigai em 2014.
O que é ikigai? Sentido original, pronúncia e tradução
Ikigai é uma palavra comum, que os japoneses usam no dia a dia para falar do sentido e do prazer de viver, e o alcance dela é muito maior que o da carreira: vai de uma xícara de chá até a missão de uma vida.
Separando a palavra: iki é “viver” e kai é “valer a pena, compensar”; juntos, o kai vira gai, e a pronúncia fica i-ki-gai, quatro sílabas. Uma reportagem da BBC em chinês de 2021 ouviu o psicólogo clínico Akihiro Hasegawa, para quem o termo pode ser rastreado até o período Heian (794 a 1185), quando a concha (kai) era algo valioso, e daí vem a ideia de “valer”.
Em português, não há uma palavra que corresponda exatamente. As formas mais comuns são:
- Razão de ser ou razão de viver: as mais usadas e as que mais se aproximam do sentido, inclusive no título do nosso teste.
- Sentido da vida: comum, mas um pouco grande demais para o dia a dia.
- Propósito de vida: popular nos livros de desenvolvimento pessoal, mas empurra o ikigai para o lado da carreira.
A última forma escorrega para o lado “grande” porque, na mesma reportagem, Hasegawa lembra que o inglês usa life para a vida inteira e para o cotidiano, enquanto o japonês tem duas palavras: jinsei, a vida como um todo, e seikatsu, os dias que se vivem, e o ikigai fica mais perto da segunda. Por isso o ikigai de que os japoneses falam costuma ser algo bem concreto e pequeno.
Um exemplo bem brasileiro. Uma avó aposentada acorda cedo, vai à feira, conversa um pouco com o feirante que a conhece e volta para cuidar do manjericão e dos tomates-cereja da varanda. Ela provavelmente não diria que “achou a missão de vida”, mas, se você perguntar o motivo de levantar da cama todo dia, a resposta está naqueles vasinhos: é um ikigai bem típico. A mesma reportagem cita uma pesquisa japonesa de 2010 com cerca de 2.000 pessoas em que só um terço mais ou menos via o trabalho como ikigai.

Como os japoneses falam de ikigai: Mieko Kamiya e Ken Mogi
Os dois livros japoneses mais citados sobre ikigai, um de uma psiquiatra e outro de um neurocientista, falam de um ikigai que não é a interseção de quatro círculos.
Mieko Kamiya: o objeto e a sensação, duas camadas
Mieko Kamiya era psiquiatra e, a partir de 1957, trabalhou por cerca de 15 anos no Nagashima Aiseien, sanatório nacional para pessoas com hanseníase em Okayama, onde foi a primeira psiquiatra e acompanhou os moradores, que viviam isolados. Em 1966, publicou Ikigai ni tsuite (“Sobre o ikigai”); segundo a imprensa local de Okayama, o livro nasceu do convívio dela com os internos, e a reportagem da BBC diz que, entre os muitos livros japoneses sobre ikigai, este é considerado o de mais autoridade.
A organização dos capítulos mostra como ela lê o tema. Ela separa duas camadas: uma é o “objeto” que faz a pessoa sentir que a vida vale a pena, como a pessoa amada, o trabalho, a fé ou a criação; a outra é o sentimento interno, que ela chama de ikigai-kan (a sensação de ikigai). Ela também reúne algumas necessidades por trás da busca de ikigai: sentir que os dias são plenos, ter um futuro a esperar, receber resposta dos outros, ter liberdade e sentir que o que se faz tem sentido.
Uma grande parte do livro trata da perda: como fica quem teve o ikigai tirado pela doença, pela morte de alguém querido ou pela queda de um sonho, e como, aos poucos, se acha um novo. Esse ponto quase não aparece no diagrama dos quatro círculos. Na leitura de Kamiya, o ikigai pode ser perdido e também pode brotar de novo; achar uma vez não quer dizer que se tem para sempre.

Ken Mogi: cinco pilares, sem ordem
O neurocientista Ken Mogi escreveu um pequeno livro sobre ikigai; a edição em chinês tradicional, da Linking Publishing, tem os cinco pilares que ele propõe: começar pequeno, libertar-se, harmonia e continuidade, a alegria das pequenas coisas e estar no presente.
No dia a dia, isso quer dizer fazer bem uma coisa pequena, não se forçar por expectativa alheia, conviver bem com as pessoas e o ambiente e manter isso por muito tempo, notar pequenos prazeres como o cheiro de pão saindo da padaria ou a luz da janela no fim da tarde, e se concentrar no momento. A apresentação da editora explica que os cinco pilares não têm hierarquia: tocar em qualquer um deles já é se aproximar do próprio ikigai.
Sentido japonês e versão de quatro círculos: onde diferem
| Aspecto | Uso cotidiano no Japão | Versão de quatro círculos (adaptação ocidental) |
|---|---|---|
| Alcance | Qualquer coisa que valha a pena na vida | Sobretudo trabalho e carreira |
| Precisa de renda? | Não necessariamente | “Pagarem por isso” é um dos círculos |
| Tamanho | Uma xícara de chá conta | Só vale com os quatro círculos juntos |
| Quantidade | Pode haver vários | Geralmente se busca uma interseção |
| Muda com o tempo? | Pode se perder e se reencontrar | Pouco discutido |
| Serve para | Cuidar do dia a dia, atravessar fases ruins | Balanço profissional, direção de mudança |
As duas versões não se contradizem, só respondem a perguntas diferentes. A primeira pergunta “o que faz os meus dias valerem a pena”, e a segunda, “para onde posso ajustar o meu trabalho”.
De onde vêm os quatro círculos? A viagem de um diagrama de propósito
O desenho original dos quatro círculos era em espanhol e falava de propósito (propósito), sem ligação com o Japão; o nome ikigai só foi posto nele em 2014.
| Ano | O que aconteceu | Fonte |
|---|---|---|
| 1966 | Mieko Kamiya publica Ikigai ni tsuite | Misuzu Shobo |
| 2011 | O astrólogo espanhol Zuzunaga desenha o diagrama de “propósito” | Cosmograma |
| 2013 | O desenho entra num livro em espanhol de Borja Vilaseca | Cosmograma, registro bibliográfico |
| 2014 | Marc Winn troca o centro do desenho por ikigai e publica no blog | Texto original de Winn |
| 2016 | O livro Ikigai, de García e Miralles, também o cita | Cosmograma |
Marc Winn acrescentou, no próprio texto de 2014, uma nota: a figura não era dele, tinha sido desenhada por Andrés Zuzunaga como diagrama de propósito, ele a viu num livro e apenas pôs uma palavra num desenho que já existia. Zuzunaga apontou isso nos comentários alguns anos antes, e Winn concordou. A escola de astrologia a que Zuzunaga pertence, a Cosmograma, conta no site a origem do desenho e registra que o conceito de ikigai é muito mais antigo que o diagrama e nunca teve diagrama nenhum.
Uma correção na tabela. O site da Cosmograma registra o livro de Vilaseca sobre mudança de carreira em 2012, mas o registro bibliográfico da livraria mostra que a primeira edição é de abril de 2013, da Conecta, e aqui vale a data do registro. O livro de 2016, Ikigai, é de Héctor García e Francesc Miralles, publicado pela Urano em espanhol; o site da Cosmograma escreve o nome do autor como Enric Miralles, e aqui seguimos o site do próprio autor.
Em muitos textos na internet, os quatro círculos aparecem como o modelo japonês de ikigai, e alguns o ligam a Okinawa; a reportagem da BBC em chinês, uma das fontes deste guia, é das que dizem que os quatro círculos são a versão conhecida no Ocidente. Quando uma imagem é reposta por tanto tempo, a origem se perde.

Conhecer a origem não torna os quatro círculos inúteis. É um bom mapa de balanço profissional; só que, chamado de ikigai, traz dois efeitos colaterais: um é pensar que amar algo sem receber por isso não conta, quando a reportagem da BBC cita que, para muitos japoneses, o ikigai pode não ter relação com renda; o outro é achar que só se “encontrou” com os quatro círculos acesos, e aí quanto mais se procura, mais ansiedade. O nosso teste também usa os quatro círculos, e a página de resultado avisa que se trata da adaptação ocidental, com a pontuação servindo só como mapa de exploração.
Os quatro círculos, as quatro interseções e as seis zonas: como ler
Os quatro círculos são o que você ama, o que sabe fazer, o que o mundo precisa e pelo que pagam; onde dois vizinhos se sobrepõem aparecem paixão, profissão, vocação e missão, e o círculo que falta faz a vida travar em pontos diferentes.
| Interseção | Formada por | Como aparece na vida |
|---|---|---|
| Paixão (passion) | Amar × saber fazer | Faz com prazer e vai ficando melhor |
| Profissão (profession) | Saber fazer × pagarem | Um ofício que sai com você de uma empresa para outra |
| Vocação (vocation) | Pagarem × o mundo precisa | O jeito de ganhar dinheiro ajuda alguém |
| Missão (mission) | O mundo precisa × amar | O que você gosta de fazer cuida dos outros |
As traduções dessas quatro interseções variam de um texto para outro; na dúvida, o inglês é o que menos confunde. Na página de resultado do nosso teste, os círculos são chamados de Amor, Talento, Renda e Necessidade, e os dois últimos designam o que pagam e o que o mundo precisa.
O nosso teste separa o resultado em seis zonas. Quatro delas são “três círculos acesos e um apagado”, e o que muda é qual está apagado:
| Zona | Círculo mais apagado | Como costuma ser |
|---|---|---|
| Bem no centro | Os quatro razoavelmente acesos | Pergunta mais como fazer melhor |
| Coração cheio, bolso leve | Renda | Ajuda de graça, tem vergonha de cobrar |
| Talento à deriva | Necessidade | Vai bem, e às vezes pergunta a quem isso importa |
| No piloto automático | Amor | Confiável e estável, há tempos sem ansiar pela segunda |
| Aprendiz com direção | Talento | O rumo está certo, a habilidade ainda cresce |
| Mapa em branco | A maioria dos círculos | Procura a primeira faísca |
Como o teste calcula: números úteis na hora de ler a pontuação
O teste tem 24 perguntas, 8 de situação do dia a dia e 16 de escala, e cada círculo é convertido em 0 a 100 pontos, com a expectativa de respostas ao acaso em torno de 50. Todos os números abaixo foram calculados direto com o programa de pontuação do teste:
- Um círculo muito apagado puxa o conjunto para baixo. A pontuação de interseção usa a média geométrica de dois círculos, e o encaixe geral, a de quatro. Quem tem três círculos com 90 e um com 20 fica com encaixe de 62; quem tem os quatro em 70 fica com 70.
- Mudar uma resposta de escala em um ponto move o círculo de 3,4 a 4,3 pontos. Quando dois círculos diferem por três ou quatro pontos, é mais ou menos uma resposta de diferença, então não dê tanto peso à ordem.
- O limite do centro é média dos quatro círculos de 55 ou mais e o mais baixo com pelo menos 48. Com os outros três em 60, o círculo mais baixo com 48 cai no centro, e com 47 vira talento à deriva. Já quem tem média abaixo de 45, e o círculo mais aceso abaixo de 52, cai no mapa em branco.
- Em 200 mil simulações com respostas totalmente aleatórias, cerca de 9,1% caíram no centro, cerca de 8,8% no mapa em branco e as outras quatro zonas ficaram entre 18% e 22% cada; só cerca de 0,3% tiveram os quatro círculos em 60 ou mais ao mesmo tempo.
Ter os quatro círculos acesos é raro por natureza. Se você não caiu no centro, o uso mais útil é olhar qual círculo está mais apagado: é onde vale mais a pena gastar energia agora.
Quem tem ikigai é mais saudável? Os números da pesquisa
Grandes estudos de acompanhamento no Japão (Sone e colaboradores, 2008; Tanno e colaboradores, 2009; Okuzono e colaboradores, 2022) viram que quem diz ter ikigai teve, depois, menos risco de morte, de incapacidade e de demência; mas os estudos perguntaram algo do tipo “você tem ikigai?”, e nenhum mediu os quatro círculos.
| Estudo | Participantes e tempo | Principal achado |
|---|---|---|
| Sone e colaboradores (2008), Estudo Ohsaki | 43.391 adultos japoneses, 7 anos | Sem ikigai, risco de morte por qualquer causa cerca de 1,5 vez maior |
| Tanno e colaboradores (2009), estudo JACC | 73.272 pessoas de 40 a 79 anos, média de 12,5 anos | Homens com ikigai, menor risco de morte cardiovascular |
| Okuzono e colaboradores (2022), JAGES | Idosos de 65 anos ou mais, 3 anos | Ikigai: 31% menos incapacidade e 36% menos demência |
| Kumano (2018) | 846 japoneses na faixa dos trinta anos | Shiawase é mais o presente, ikigai é envolvimento e futuro |
Alguns detalhes. No estudo de Sone e colaboradores, o risco a mais de quem não tinha ikigai vinha sobretudo de doença cardiovascular e de mortes por causas externas, e a diferença na morte por câncer não foi estatisticamente significativa. No de Tanno e colaboradores, homens e mulheres com ikigai tinham menor risco de morte por causas externas. Okuzono e colaboradores usaram duas bases (6.441 e 8.041 pessoas) por três anos e viram que, além de menos incapacidade e demência, idosos com ikigai tinham menos sintomas de depressão, mais bem-estar e satisfação com a vida e participavam mais de grupos de hobby; parte das associações era mais forte em homens e em quem tinha melhor situação socioeconômica.
Três coisas para ter em mente ao ler esses números:
- São estudos observacionais e só mostram associação. Quem já está mais saudável também tende a ver os dias com mais esperança; os estudos ajustaram muitos fatores, mas ainda não dá para dizer que ter ikigai faz viver mais.
- As amostras são de japoneses, em geral de meia-idade ou mais velhos. Para quem trabalha no Brasil, servem como referência, não como regra.
- O que se mediu foi o ikigai no sentido japonês do dia a dia. O ikigai que os participantes tinham em mente pode ser o neto, a horta ou o clube, o que não é a mesma coisa que a interseção profissional dos quatro círculos.
O estudo de Kumano separa justamente ikigai de felicidade. Ela viu que sentir shiawase se parece mais com o prazer e a calma do momento, e sentir ikigai está ligado ao envolvimento com o que se ama, à realização e à consciência de propósito, olhando para o futuro. Na linguagem da psicologia, a primeira se aproxima do bem-estar hedônico e a segunda, do bem-estar eudaimônico. Alguém pode ter um dia muito feliz e não saber dizer qual é o seu ikigai; ou estar numa fase pesada e continuar achando que o que tem nas mãos vale a pena.

Como achar o seu ikigai: dois jeitos de praticar, o do dia a dia e o dos quatro círculos
Comece pela versão do dia a dia, para reencontrar os pequenos ikigais, e só depois use a dos quatro círculos para fazer o balanço do trabalho; na ordem inversa, é fácil se cobrar demais.
Versão do dia a dia: uma semana de anotações de ikigai
Toda noite, antes de dormir, gaste dois minutos escrevendo uma coisa do dia em que você pensou “valeu a pena”. Vale coisa pequena: o padeiro que já sabe como você gosta do pão na chapa, terminar um episódio da série com quem divide a casa, finalmente tirar da roda uma xícara que não ficou torta na oficina de cerâmica do centro cultural do bairro.
Depois de uma semana, releia e organize em duas colunas:
- Objeto: as pessoas, coisas e lugares que se repetem. Corresponde ao “objeto que faz a pessoa sentir que vale a pena”, de Kamiya.
- Sensação: se naquele momento você se sentiu necessário, sentiu que estava ficando bom naquilo ou apenas em paz. Corresponde ao ikigai-kan dela.

Se durante a semana toda não veio nada, não tire conclusões ainda. Experimente o primeiro pilar de Mogi, começar pequeno: escolha uma coisa que você já faz, como passar um café ou arrumar a mesa, faça um pouco mais atento que o normal e anote de novo no dia seguinte.
Essa lista é especialmente útil quando o ikigai é tirado de você, como numa aposentadoria, demissão, fim de relacionamento ou saída de um filho de casa. O livro de Kamiya dedica muitas páginas a esses momentos, e ela observa que o ikigai novo muitas vezes começa numa coisa pequena, e raramente já nasce grande.
Versão dos quatro círculos: experimento de 30 dias, uma ação por círculo
A versão dos quatro círculos serve para o balanço profissional. Faça primeiro o nosso teste para achar o círculo mais apagado e escolha a ação correspondente, completando um círculo por mês:
- Amor apagado: liste três coisas que, na infância, faziam você esquecer o lanche, e nesta semana reserve duas horas na agenda para uma delas. Para saber de que tipo de atividade de trabalho você gosta, dá para consultar os seis tipos do código Holland e já reduzir o campo.
- Talento apagado: pergunte a três colegas ou amigos, por mensagem, “em que situação você pensa em mim primeiro?”; as palavras que se repetem são pista. Depois escolha uma e pratique 40 minutos por dia, para ter, em um mês, algo concreto para mostrar.
- Renda apagada: olhe como três pessoas da mesma área cobram, numa plataforma de freelancers como a Workana ou em grupos de artesãos, e escreva uma linha do seu cardápio de serviço: “ajudo quem, a resolver o quê, por quanto”. Se você trava na hora de cobrar e sempre acaba ajudando de graça, os exercícios de dizer não do guia sobre quem agrada demais podem servir.
- Necessidade apagada: pense em quem recebe, no fim, o que você faz e escreva como essa pessoa é. Depois faça um trabalho voluntário com a sua habilidade, como fotografar os produtos de um pequeno produtor ou fazer o cartaz de eventos de uma associação de moradores, e veja em que momento você pensa “é isso”.
Nenhuma dessas ações exige pedir demissão. Depois de 30 dias, refaça o teste de ikigai e veja se o círculo mais apagado acendeu um pouco. Para entender, pelo lado da personalidade, por que você prefere certos jeitos de trabalhar, o guia de Big Five pode ser lido junto.
Próximo passo: quando só a prática não basta e é hora de conversar
O exercício de ikigai é para quando você está meio perdido e quer ajustar o rumo; se já é um “nada tem graça”, cuide primeiro do corpo e da mente e só depois pense em sentido.
Três coisas para fazer primeiro:
- Comece esta semana a anotação de ikigai, dois minutos por dia.
- Faça o teste, ache o círculo mais apagado e escolha um experimento de 30 dias.
- Combine um almoço com alguém mais velho ou um amigo que pareça viver com sabor e pergunte: “o que tem feito os seus dias valerem a pena ultimamente?”. A resposta costuma ser menor do que se imagina.
Se, depois da versão dos quatro círculos, o círculo mais apagado parecer sempre ligado ao trabalho atual e você estiver pensando em sair, o guia Devo largar o emprego? ajuda a separar do que você quer ir embora. Em decisões de carreira que emperram há muito tempo, como trocar de área ou escolher um curso, vale procurar o serviço de orientação profissional da universidade ou um psicólogo ou orientador de carreira: alguém para abrir os quatro círculos ao seu lado costuma ser mais rápido que refazer o teste sozinho.
Se aquela sensação de “nada faz sentido” já dura duas semanas ou mais, atrapalha o sono, o apetite ou o trabalho e a escola, ou você perdeu o interesse até no que gostava, cuide de você primeiro: ligue para o CVV, no 188, gratuito e 24 horas, ou procure um psiquiatra ou psicólogo, inclusive pelo posto de saúde. O ikigai pode esperar até você estar mais firme para procurá-lo com calma.
Faça o teste
Perguntas frequentes
Como se pronuncia ikigai?
São quatro sílabas, i-ki-gai, com o final soando como em “pai”. Em japonês, a palavra é escrita com os ideogramas de “viver” (iki) e “valor, retorno” (kai). Sozinho, o segundo elemento se lê kai, mas, depois do primeiro, vira gai, e é por isso que a grafia romanizada é ikigai.
O que significa ikigai em português?
O sentido literal é “o valor de estar vivo”. Iki é viver, e kai é aquilo que compensa. Em português costuma aparecer como razão de ser, razão de viver ou sentido da vida. É mais cotidiano que “propósito de vida”: uma boa xícara de chá ou alguém esperando você em casa pode ser um ikigai.
Os quatro círculos do ikigai foram inventados por japoneses?
Não. Os quatro círculos foram desenhados em 2011 pelo astrólogo espanhol Andrés Zuzunaga como um diagrama de propósito. Em 2014, o blogueiro Marc Winn trocou a palavra “propósito” do centro por ikigai, e o desenho se espalhou. Winn depois acrescentou que a figura não era dele, e do lado de Zuzunaga se diz que o ikigai original nunca teve diagrama.
Se eu não achar a interseção dos quatro círculos, não tenho ikigai?
Não. No uso japonês, o ikigai não precisa reunir amor, talento, necessidade do mundo e pagamento; cuidar de uma planta já conta. O diagrama serve mais para fazer um balanço profissional. A simulação do nosso teste também mostra que ter os quatro círculos acesos ao mesmo tempo é raro, então não cair no centro é normal.
Qual a diferença entre ikigai e felicidade?
Kumano pesquisou, em 2018, 846 japoneses na faixa dos trinta anos e viu que sentir shiawase (felicidade) tende ao prazer e à calma do presente, enquanto sentir ikigai tende ao envolvimento com o que se ama, à realização e a metas para o futuro. A primeira lembra a felicidade hedônica, e a segunda, a felicidade de realização.
O teste de ikigai é confiável?
É uma ferramenta de autoconhecimento, não um diagnóstico. O diagrama dos quatro círculos é uma adaptação para balanço profissional, e não uma escala criada a partir de pesquisa; os estudos de saúde do Japão usam uma pergunta só, do tipo “você tem ikigai?”. A pontuação do nosso teste serve para achar o círculo mais apagado; se dois círculos estão a poucos pontos, não leve a ordem tão a sério.
Referências
- Ikigai ni tsuite (Mieko Kamiya Collection) · Misuzu Shobo (Mieko Kamiya) · 1966 · www.msz.co.jp
- What is your ikigai? The diagram, and how it came about · The View Inside Me (Marc Winn) · 2014 · theviewinside.me
- Sense of life worth living (ikigai) and mortality in Japan: Ohsaki Study · Psychosomatic Medicine (Sone et al.) · 2008 · doi.org
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- Propósito (diagrama de Andrés Zuzunaga) · Cosmograma · 2011 · www.cosmograma.com
- IKIGAI, Chinese-language edition of Ken Mogi's book (Linking Publishing) · Linking Publishing (Ken Mogi) · 2025 · www.linkingbooks.com.tw
- ¿Qué harías si no tuvieras miedo? (Borja Vilaseca, bibliographic record) · Casa del Libro (Conecta) · 2013 · www.casadellibro.com
- Ikigai (Héctor García and Francesc Miralles, book page) · Francesc Miralles (Urano) · 2016 · francescmiralles.com
- The Japanese idea of ikigai: keywords for a happy work and life (Chinese-language report, English title by the editors) · BBC News (Chinese edition) · 2021 · www.bbc.com
- Associations of ikigai as a positive psychological factor with all-cause mortality and cause-specific mortality among middle-aged and elderly Japanese people: Findings from the Japan Collaborative Cohort Study · Journal of Psychosomatic Research (Tanno et al.) · 2009 · doi.org
- On the concept of well-being in Japan: Feeling shiawase as hedonic well-being and feeling ikigai as eudaimonic well-being · Applied Research in Quality of Life (Kumano) · 2018 · doi.org
- Ikigai and subsequent health and wellbeing among Japanese older adults: Longitudinal outcome-wide analysis · The Lancet Regional Health - Western Pacific (Okuzono et al.) · 2022 · doi.org
- Mieko Kamiya centenary exhibition: the first psychiatrist at Nagashima Aiseien (Japanese original, English title by the editors) · Sanyo Shimbun MEDICA · 2013 · medica.sanyonews.jp
- Centro de Valorização da Vida (CVV) · CVV · 2026 · www.cvv.org.br
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