Apego seguro: características, causas e como desenvolvê-lo
Equipe editorial do Type of You13 min de leitura

Pontos principais
- Apego seguro é a tendência de ter ansiedade e evitação de apego baixas. Não é um tipo de personalidade e varia conforme a pessoa com quem se convive.
- Quem tem apego seguro também sente insegurança e também briga. A diferença que a pesquisa vê é que pede ajuda com mais franqueza e consegue voltar depois da discussão.
- O amortecimento pelo parceiro tem apoio de pesquisa: quando a resposta é a certa, a reação insegura de ansiosos e evitativos diminui no momento.
- O apego seguro conquistado existe e costuma estar ligado a apoio fora da família e a psicoterapia, mas ser seguro não apaga o que doeu no passado.
- Para caminhar para o seguro: pedir ajuda de forma direta, fazer pausas com prazo e treinar a dependência a partir de coisas pequenas.
Apego seguro (secure attachment) é a tendência de ter ansiedade de apego e evitação de apego baixas: a pessoa teme pouco ser deixada e não se assusta com proximidade nem com depender dos outros. Quem tem apego seguro também sente insegurança e também briga; o que a pesquisa vê de diferente é que, quando a insegurança chega, essa pessoa costuma falar, pedir ajuda ao parceiro e voltar depois da discussão. A “personalidade segura” que tanto se busca na internet, aliás, não é um tipo de personalidade. Por trás dele há pesquisa sobre o que o apego seguro faz sob estresse, se um parceiro seguro ajuda ansiosos e evitativos, como surge o apego seguro conquistado e o que dá para praticar.
O que é apego seguro? Ansiedade e evitação, as duas baixas
Apego seguro é estar na faixa baixa nas duas dimensões, ansiedade de apego (o quanto se teme ser abandonado) e evitação de apego (o quanto a intimidade e a dependência incomodam), com a expectativa de base “eu mereço ser amado e quem me importa costuma ser confiável”.
A pesquisa com adultos costuma descrever o jeito de uma pessoa nas relações por essas duas dimensões, e os quatro tipos são só quatro regiões do mapa; a história completa está em Tipos de apego: os 4 estilos, suas causas e como mudam. O seguro fica no canto inferior esquerdo: nenhuma das duas pontuações é alta.
A mesma casa tem vários nomes. “Apego” e “vínculo” traduzem attachment; a outra dimensão, evitação, também aparece como “esquiva”; e a classificação adulta de Bartholomew e Horowitz (1991) chama esse tipo direto de secure. No nosso Teste de estilo de apego, esse resultado se chama Apego seguro, apelido “Ipê de raiz funda”: a outra pessoa está na correria e você não surta; a outra se aproxima e você não foge. O teste usa 14 perguntas de situação para somar duas pontuações, ansiedade e evitação (cada uma convertida para 0-100), e classifica como seguro quando as duas ficam abaixo da fronteira. A fronteira sai dos pesos das perguntas e é a média teórica de quem responde ao acaso: cerca de 43 na ansiedade e 48 na evitação, e ficar exatamente na linha conta como alto; a página de resultado marca as duas linhas no gráfico. Por isso os dois números da página valem mais do que o nome do tipo: entre dois seguros, ansiedade 40 e ansiedade 10 podem ser dias bem diferentes.
O seguro também não é bicho raro. Num levantamento americano representativo do país, foi o tipo mais numeroso, com cerca de 59% se descrevendo como seguros (Mickelson et al., 1997). Achar que “não existe ninguém seguro por perto” pode ser só porque quem é seguro faz menos alvoroço nas relações e vira menos assunto de conversa entre amigos.
“Personalidade segura” não é tipo de personalidade: quatro enganos comuns
“Personalidade segura” é uma expressão de busca: a psicologia não tem esse tipo de personalidade, e o apego descreve as expectativas e os hábitos de alguém nas relações, que mudam conforme a pessoa, a idade e a experiência.
Duas pesquisas mostram por que não convém tratá-lo como personalidade. Fraley e colegas (2011) usaram um questionário que avalia relações diferentes separadamente, reunindo dados online de mais de 21 mil pessoas, e viram que cada um desenvolve representações de apego distintas para pessoas distintas: você pode ser mais evitativo com a mãe, tranquilo com o colega de república e um pouco ansioso com o parceiro atual. O apego medido para “uma relação específica” costuma prever melhor os resultados pessoais e interpessoais do que o apego geral; já o apego geral prevê melhor traços de personalidade. Outro estudo testou se o apego adulto é categoria ou dimensão, e o resultado apoiou a dimensão (Fraley et al., 2015). Então, em vez de “eu sou seguro”, o mais exato é “com esta pessoa, não fico muito em pânico nem tenho muita vontade de me esconder”.
| Engano comum | O que a pesquisa apoia mais |
|---|---|
| O seguro nunca fica ansioso | Fica inseguro, mas fala e procura ajuda |
| O seguro não briga | Briga, e a diferença é se recuperar mais depressa |
| Ser seguro é ter um caráter bom de nascença | São expectativas nas relações, que dá para acumular depois |
| O seguro é o parceiro perfeito | Também tem pontos cegos, como engolir as fases ruins |
O ponto cego da última linha aparece também na página de resultado do nosso teste: o seguro é tantas vezes “a parte estável” que quase não fala quando está mal; e, diante de um parceiro com ansiedade ou evitação altas, essa estabilidade pode ser lida como “você não liga”.
Características do apego seguro: o que a pessoa faz quando o estresse chega
Quem tem apego seguro nos estudos não passa por menos estresse; a diferença é que tende a pedir ajuda de forma direta, sabe acolher o pedido do parceiro e se recompõe mais depressa depois da briga.
Há observações de laboratório para cada um destes pontos:
- Pedir ajuda com franqueza. Collins e Feeney (2000) gravaram 93 casais de namorados, em que um dos dois contava ao parceiro um problema que o incomodava. Quanto maior o estresse do problema, mais diretamente a pessoa pedia ajuda e mais útil era a resposta do parceiro; quando bem acolhida, a pessoa se sentia cuidada e melhorava de humor. Quem tinha evitação alta pedia de um jeito menos eficaz, e quem tinha ansiedade alta, quando era a vez de cuidar, se saía pior.
- Mais tensão, mais aproximação. Simpson e Rholes (2017) reuniram anos de pesquisa: quando a tensão era induzida em laboratório, quem tinha evitação alta procurava menos o parceiro; quem tinha evitação baixa, mais seguro, fazia o oposto e se aproximava mais, e quanto mais inseguro o parceiro, mais conforto dava.
- Deixar-se acalmar. Quando casais tentavam resolver um problema da relação, quem tinha representações de apego mais seguras com os pais ficava mais calmo quanto mais cuidado emocional (empatia, acalento) recebia do parceiro, e mais ainda quanto mais tenso estava; quem era mais desdenhoso respondia melhor à ajuda prática (Simpson et al., 2007).
- Voltar depois da briga. Salvatore e colegas (2011) acompanharam 73 jovens que participavam da pesquisa desde o nascimento: depois de 10 minutos de discussão com o parceiro, vinha um período de “esfriamento” de 4 minutos, para ver quem conseguia se afastar do conflito. Quanto mais vezes a pessoa fora avaliada como segura na infância, melhor esfriava, e o parceiro também.
No dia a dia, é mais ou menos assim: às dez da noite o outro ainda não respondeu, e a pessoa segura pensa “deve estar no trabalho”, manda um “termina logo aí e vai dormir” e vai tomar banho; depois de um dia inteiro levando bronca do chefe, diz direto ao parceiro “hoje foi péssimo, queria um abraço”; no meio de uma briga percebe que está para dizer algo feio e fala “vou comprar um suco, volto em quinze minutos”, e volta mesmo, com dois sucos. Nada disso é superpoder: são pequenas coisas de dizer com clareza e cumprir o que foi dito.
Na vida real: como o seguro fala diante do vácuo, do gelo, da família e da distância
As falas do apego seguro têm uma estrutura em comum: primeiro o próprio estado, depois um pedido específico e, por fim, um pouco de espaço para o outro; estas situações são as que mais travam casais brasileiros.
| Situação | Como o seguro lê | Uma frase para usar direto |
|---|---|---|
| Visualizada no WhatsApp há meio dia | Deve estar ocupado, pergunto mais tarde | “Quando acabar aí, me dá um boa-noite.” |
| Vontade de dar um gelo | Parar a briga, mas combinar a volta | “Se eu falar agora, vai sair feio. Conversamos às nove.” |
| O outro dá o gelo primeiro | Não perseguir, mas deixar uma porta aberta | “Estou aqui; amanhã antes do almoço eu te pergunto.” |
| Conhecer a família do outro | Nervosismo é normal, alinhar expectativas | “O que seus pais mais valorizam? Me conta antes.” |
| Uma semana sem chamada de vídeo à distância | Saudade é necessidade normal | “Domingo à noite, meia hora de vídeo?” |
| Fase muito ruim | É a minha vez de ser cuidado | “Hoje foi péssimo, só queria um abraço.” |
Essas frases foram escritas a partir do que a seção anterior mostra: quando o pedido é direto, a resposta do parceiro também costuma ser mais útil (Collins & Feeney, 2000). “Você não liga para mim?” e “domingo à noite, meia hora de vídeo?” podem vir da mesma saudade, mas só a segunda dá ao outro uma ação possível.
Claro que frase não é fórmula mágica. Se você diz com clareza e a outra pessoa continua sem responder, sem aparecer e sem combinar nenhum horário de volta, isso também é uma informação importante. Aí, mais do que inventar mais um motivo para a outra pessoa, vale olhar o que ela de fato faz.

Um parceiro seguro consegue “equilibrar” um ansioso ou um evitativo?
A pesquisa apoia que o “amortecimento pelo parceiro” existe: quando um lado responde do jeito certo, a reação insegura do outro diminui no momento; mas é uma interação entre duas pessoas, não uma missão de resgate do seguro.
Simpson e Overall (2014) chamam esse fenômeno de partner buffering: o parceiro ajuda o lado inseguro a regular emoções e comportamentos, faz o outro se sentir melhor e agir de modo mais construtivo, e a relação melhora junto. O ponto é a resposta “certa”, porque ansiosos e evitativos precisam de coisas diferentes.
Com quem tem evitação alta, Overall e colegas (2013) observaram 180 casais heterossexuais: quando um queria que o outro mudasse alguma coisa, o evitativo cobrado costumava ficar mais irritado e se retrair, e a conversa dava menos certo. Mas nos trechos em que o parceiro falava de modo “suave”, respeitando a autonomia e fazendo o outro se sentir valorizado, a raiva e a retração do evitativo diminuíam, e a conversa dava mais certo. Com quem tem ansiedade alta, a pesquisa reunida por Simpson e Rholes (2017) indica que essas pessoas sofrem mais e agem de forma mais desequilibrada ao discutir um conflito importante, mas, quanto mais o parceiro se compromete e leva a relação a sério, mais fracas ficam essas reações.

A longo prazo, Arriaga e colegas (2014) acompanharam 134 casais comprometidos, com um resultado meio inesperado: num mesmo momento, confiar no parceiro se associava a menos ansiedade e ter os objetivos apoiados se associava a menos evitação; mas, ao acompanhar o tempo, a direção se invertia: sentir que o parceiro é “confiável” previa uma queda posterior da evitação, e sentir que ele apoia os objetivos pessoais previa uma queda posterior da ansiedade. Então, para ajudar um parceiro ansioso, além de dizer “estou aqui”, dá para apoiá-lo nos objetivos fora da relação, para que aos poucos ele acredite que é capaz. A capivara da imagem, esperando na porta da oficina de cerâmica, faz justamente isso. Salvatore e colegas (2011) também viram que um parceiro que se recupera bem do conflito pode amortecer o lado que teve apego inseguro na infância: dois anos depois, a relação deles era mais estável.
| Situação | Parceiro mais ansioso | Parceiro mais evitativo |
|---|---|---|
| Insegurança no momento | Dizer com clareza “estou aqui, estamos bem” | Dar espaço e combinar a hora de voltar |
| Para conversar sobre um problema | Mostrar seu compromisso com a relação | Respeitar o ritmo e dizer que ele é importante |
| A longo prazo | Apoiar os objetivos dele fora da relação | Dar várias experiências de “apoiar-se em você e ficar tudo bem” |
| Melhor evitar | Testar ou castigar com frieza | Perseguir para terminar a conversa na hora |
Convém dizer também o que essas pesquisas não respondem. A maioria olha se o lado “amortecido” melhora, e pouco diz sobre se quem amortece se cansa a longo prazo ou é arrastado para a ansiedade e o gelo. O seguro pode ter mais paciência, mas não precisa carregar isso sozinho; se o outro se recusa totalmente a ajustar, ou se a relação tem controle, humilhação ou violência, isso já passa do que o estilo de apego explica: ligue para o 190 em caso de perigo, e mulheres também podem ligar para o Ligue 180 (gratuito, 24 horas).
Para entender o que o parceiro está pensando, leia Apego ansioso: sinais, causas e como se acalmar e Apego evitativo: características, causas e como lidar. Se a pessoa é ora grudada, ora fria, com as duas reações, o quadro pode estar mais perto do apego desorganizado, e o jeito de amortecer também precisa mudar.
Apego seguro conquistado (earned security): a “segurança conquistada” existe mesmo?
O apego seguro conquistado existe, mas a pesquisa o mostra mais complexo do que as histórias motivacionais: há quem de fato saiu da insegurança para a segurança, há quem apenas lembre a infância como dura, e ser seguro não significa que o passado deixou de doer.
O “apego seguro conquistado” (earned security) surgiu nas pesquisas com a Entrevista de Apego Adulto (Adult Attachment Interview): quem descreve uma infância e uma relação com os pais difíceis, mas hoje fala dessa experiência de forma clara e coerente, é classificado como seguro conquistado; o grupo de comparação é o de “seguro contínuo” (continuous security), seguro na infância e agora. Vale notar que essa é uma classificação de entrevista, que não mede a mesma coisa que o nosso teste ou um questionário de autorrelato da internet.
Pearson e colegas (1994) compararam pais de 40 crianças em idade pré-escolar: os pais seguros conquistados criavam os filhos tão bem quanto os seguros contínuos, mas seus sintomas depressivos se pareciam com os dos inseguros, e o percentual acima do ponto de corte clínico foi de 40% nos seguros conquistados, 30% nos inseguros e só 10% nos seguros contínuos. A leitura dos autores é que as dificuldades passadas, mesmo reorganizadas, ainda podem ser uma carga emocional.
Roisman e colegas (2002) testaram isso com dados acompanhados por 23 anos desde a infância, e o resultado derrubou uma suposição: quem era classificado como seguro conquistado pela “lembrança de hoje” não tinha, quando bebê, mais apego inseguro do que os seguros contínuos; os pesquisadores que observaram em campo o cuidado das mães na infância e na adolescência viram, nessa amostra de alto risco, que elas estavam entre as mais atentas e organizadas. Por quê? O estudo não conclui. Uma explicação possível (é inferência, a pesquisa não a testou diretamente) é que lembrar da infância sofre influência do humor atual, e hoje achar que foi difícil não significa que tenha sido mais difícil do que a de outras pessoas. Já quem foi definido a partir de dados da infância e de fato saiu da insegurança para a segurança cuidou bem das relações íntimas adultas, e muitos deles não relataram níveis altos de depressão ou ansiedade.
Como essas pessoas chegaram lá? Saunders e colegas (2011) entrevistaram 121 mães grávidas do primeiro filho, de uma amostra de baixo risco, das quais 16 eram seguras conquistadas: 13% do total e um quarto das seguras. Em comparação com as demais, elas recebiam mais apoio emocional de pessoas de fora da família de origem (o apoio prático não fez diferença) e passaram mais tempo em psicoterapia; seus bebês também tinham mais probabilidade de desenvolver apego seguro do que os das mães inseguras.
O diagrama mostra a mesma ideia: as experiências iniciais formam expectativas, mas as experiências de relação que vêm depois vão voltando para corrigi-las. As amostras acima são pequenas e, em geral, de pais ou mães americanos, e as conclusões pedem cautela; ainda assim, uma relação estável o bastante (que não precisa ser amorosa) e a ajuda profissional são caminhos reais para a segurança.
Como desenvolver o apego seguro: cinco exercícios para começar hoje
Para ficar mais seguro, a pesquisa aponta o acúmulo de experiências de “pedi ajuda e alguém respondeu” e de “fui eu mesmo e fui apoiado”, que podem vir do parceiro, de amigos e da terapia.
- Transformar o pedido de ajuda em pedido específico. Trocar “você não se importa comigo” por “hoje foi puxado e estou sem energia, dá para jantarmos juntos?”. Quanto mais específico, mais o outro sabe como responder (Collins & Feeney, 2000).
- Treinar uma pausa com prazo. Perto de perder o controle na briga, dizer “preciso de vinte minutos, já volto” e voltar na hora. Recuperar-se bem já protege a relação (Salvatore et al., 2011).
- Quem tem mais ansiedade: cultivar um objetivo fora da relação. Fazer um curso, se exercitar com regularidade, e deixar o parceiro saber o que você está fazendo. Ser apoiado em objetivos próprios se liga a menos ansiedade depois (Arriaga et al., 2014).
- Quem tem mais evitação: depender uma vez, numa coisa pequena. Pedir que a outra pessoa compre uma marmita ou vá com você ao dentista, e anotar depois “me apoiei e não deu nada”. Confiar que o parceiro é confiável se liga a menos evitação depois (Arriaga et al., 2014).
- Quem já é seguro: deixar os outros cuidarem de você. Até ipê precisa de água. Quando for a sua vez de estar mal, diga, para que o parceiro possa responder, e a relação não dependa de uma pessoa só.

Depois de um tempo treinando, vale refazer o Teste de estilo de apego daqui a algumas semanas para ver se as duas pontuações se mexeram. As pontuações oscilam com a fase da vida, e o que interessa é a tendência geral, sem susto com uns pontos para cima ou para baixo.
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Perguntas frequentes
O que é personalidade de apego seguro?
“Personalidade segura” é um jeito de falar da internet: a psicologia não tem esse tipo de personalidade. O termo costuma se referir ao apego seguro, em que a pessoa não teme muito ser deixada e não evita proximidade nem dependência. Apego é um conjunto de expectativas e hábitos que muda com a pessoa, a idade e a experiência, e a pesquisa mostra que uma mesma pessoa pode ter apegos diferentes com pais, amigos e parceiro.
Quais são as características de quem tem apego seguro num relacionamento?
É comum falar da insegurança e pedir ajuda de forma específica, acolher o parceiro quando ele precisa, brigar e voltar depois de dizer “vamos dar uma pausa” e não ler uma resposta demorada como falta de amor. Também há pontos cegos, como se acostumar a ser a parte estável e engolir as próprias fases ruins, o que pede treino de deixar o parceiro cuidar.
Um ansioso pode virar seguro?
Pode, e a pesquisa aponta um caminho concreto. Um estudo que acompanhou 134 casais comprometidos viu que sentir que o parceiro apoia seus objetivos pessoais previa uma queda posterior da ansiedade de apego. Além de ser acalmado, ajuda acumular, dentro e fora da relação, experiências de “eu sou capaz e meus objetivos são apoiados”; apoio fora da família e psicoterapia também se ligam ao apego seguro conquistado.
Há muita gente com apego seguro?
Onde há pesquisa, o seguro costuma ser o tipo mais numeroso. Num levantamento americano representativo de 1997, cerca de 59% se descreveram como seguros, 25% como evitativos e 11% como ansiosos (só três tipos, sem o desorganizado). Não há dado representativo desse nível para o Brasil, então desconfie de afirmações como “só 5% são seguros” e pergunte pela fonte.
O que acontece quando alguém seguro fica com um ansioso ou um evitativo?
A pesquisa apoia o “amortecimento pelo parceiro”: mostrar compromisso a um parceiro ansioso e, com um evitativo, respeitar a autonomia ao fazer um pedido, deixando a pessoa se sentir valorizada, reduz a reação insegura no momento. Só que exige uma resposta que corresponda à necessidade e a disposição do outro de ajustar também; a pessoa segura não precisa nem consegue consertar ninguém sozinha.
Referências
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- Adult attachment, stress, and romantic relationships · Current Opinion in Psychology, 13, 19-24 (Simpson & Rholes) · 2017 · doi.org
- Working models of attachment and reactions to different forms of caregiving from romantic partners · Journal of Personality and Social Psychology, 93, 466-477 (Simpson, Winterheld, Rholes & Oriña) · 2007 · doi.org
Mostrar os 13 restantesMostrar menos
- Recovering from conflict in romantic relationships: A developmental perspective · Psychological Science, 22, 376-383 (Salvatore, Kuo, Steele, Simpson & Collins) · 2011 · doi.org
- Partner buffering of attachment insecurity · Current Directions in Psychological Science, 23, 54-59 (Simpson & Overall) · 2014 · doi.org
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- Filling the void: Bolstering attachment security in committed relationships · Social Psychological and Personality Science, 5, 398-406 (Arriaga, Kumashiro, Finkel, VanderDrift & Luchies) · 2014 · doi.org
- Earned- and continuous-security in adult attachment: Relation to depressive symptomatology and parenting style · Development and Psychopathology, 6, 359-373 (Pearson, Cohn, Cowan & Cowan) · 1994 · doi.org
- Earned-secure attachment status in retrospect and prospect · Child Development, 73, 1204-1219 (Roisman, Padrón, Sroufe & Egeland) · 2002 · doi.org
- Pathways to earned-security: The role of alternative support figures · Attachment & Human Development, 13, 403-420 (Saunders, Jacobvitz, Zaccagnino, Beverung & Hazen) · 2011 · doi.org
- The Experiences in Close Relationships-Relationship Structures Questionnaire: A method for assessing attachment orientations across relationships · Psychological Assessment, 23, 615-625 (Fraley, Heffernan, Vicary & Brumbaugh) · 2011 · doi.org
- Are adult attachment styles categorical or dimensional? A taxometric analysis of general and relationship-specific attachment orientations · Journal of Personality and Social Psychology, 109, 354-368 (Fraley, Hudson, Heffernan & Segal) · 2015 · doi.org
- Attachment styles among young adults: A test of a four-category model · Journal of Personality and Social Psychology, 61, 226-244 (Bartholomew & Horowitz) · 1991 · doi.org
- Adult attachment in a nationally representative sample · Journal of Personality and Social Psychology, 73, 1092-1106 (Mickelson, Kessler & Shaver) · 1997 · doi.org
- CVV - Centro de Valorização da Vida · Centro de Valorização da Vida (CVV) · 2026 · www.cvv.org.br
- Ligue 180 - Central de Atendimento à Mulher · Ministério das Mulheres · 2026 · www.gov.br
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