Tipos de apego: os 4 estilos, suas causas e como mudam

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Num banco de madeira, uma capivara com uma caneca senta firme no meio, uma lontra com o celular fica bem colada nela e um coelho de fones de ouvido senta na outra ponta, a uma distância tranquila

Pontos principais

  • Apego é o hábito de buscar proximidade e segurança nas relações íntimas. A teoria nasceu com Bowlby, a partir da relação entre bebês e cuidadores.
  • O apego adulto se descreve em duas dimensões, ansiedade de apego e evitação de apego. Suas combinações formam os quatro tipos: seguro, ansioso, evitativo e desorganizado.
  • O apego é um espectro, não quatro caixinhas: quem fica perto de uma fronteira costuma ter traços de dois tipos.
  • O apego tem estabilidade moderada, mas se move. Em média, ansiedade e evitação caem com a idade, e quem tem parceiro tende a pontuar menos nas duas.
  • Estilo de apego é um padrão de relação, não um transtorno de personalidade. Perceber os gatilhos e dizer com clareza o que precisa é o começo do caminho para o seguro.

Os tipos de apego descrevem como uma pessoa se aproxima, se protege e pede ajuda nas relações íntimas: seguro, ansioso, evitativo e desorganizado. Apego (attachment, também traduzido como vínculo) é o conjunto de hábitos de querer chegar perto, temer se machucar e escolher a quem recorrer. Na infância, o alvo são os cuidadores; na vida adulta, quase sempre o parceiro e os amigos mais próximos. A psicologia os descreve em duas dimensões: o quanto você teme ser deixado (ansiedade de apego) e o quanto depender dos outros te incomoda (evitação de apego).

O que é apego? Um programa embutido para “o que fazer quando preciso de alguém”

Apego é o laço afetivo entre uma pessoa e um alvo específico, e o modo como ela busca segurança nesse alvo quando sente medo, tristeza ou estresse.

O psiquiatra britânico John Bowlby propôs a teoria do apego a partir do fim dos anos 1950. A ideia central: o bebê chora, agarra e segue o cuidador porque a proximidade traz proteção. É um sistema que evoluiu para a sobrevivência, e não sinal de “mimo”. Sua colaboradora Mary Ainsworth acrescentou outro conceito-chave, a “base segura” (secure base): a criança só explora o mundo à vontade quando confia que o cuidador está por perto, e volta para recarregar quando fica insegura (Bretherton, 1992). Na vida adulta é parecido: saber que alguém fica firme no lugar é o que deixa você ir um pouco mais longe.

Uma capivara de cachecol verde com uma caneca senta tranquila num banco, enquanto, a alguns passos, uma lontra escolhe petiscos num carrinho de biscoitos e olha para trás na direção dela
Saber que alguém fica firme no lugar é o que deixa você explorar.

Bowlby também achava que a criança, a partir das vezes em que é atendida ou não, vai formando “modelos internos de funcionamento” (internal working models): expectativas sobre se merece ser amada e se os outros são confiáveis. Essas expectativas vão junto para as relações seguintes. Em 1987, Cindy Hazan e Phillip Shaver levaram formalmente esse quadro para o amor adulto, defendendo que se apaixonar também é um processo de apego (Hazan & Shaver, 1987).

No dia a dia, é mais ou menos assim: com febre de madrugada, para quem você pensa em mandar mensagem primeiro? Se a pessoa não responde, você manda mais três, liga na hora ou engole um remédio e deixa para amanhã? Esse reflexo é o seu sistema de apego em ação.

De onde vem a teoria do apego: do laboratório de bebês ao amor adulto

A teoria do apego foi proposta por Bowlby e verificada por Ainsworth com observação, e só chegou ao amor adulto depois dos anos 1980; os “quatro tipos de apego” que circulam na internet, na verdade, foram emendados de vários estudos diferentes.

ÉpocaQuemO que fezQuem foi estudado
Do fim dos anos 1950John BowlbyPropôs a teoria: buscar o cuidador é um sistema inato de proteçãoBebês e crianças pequenas
1978Mary Ainsworth e colegasCom a “Situação Estranha”, separou os tipos seguro, evitativo e ansioso-ambivalenteBebês de cerca de 1 ano
1986 e 1990Mary Main e Judith SolomonAcrescentaram uma quarta categoria, a desorganizadaBebês
1987Hazan e ShaverLevaram os três tipos para o amor adulto, medidos por questionárioAdultos
1991Bartholomew e HorowitzPropuseram quatro categorias adultas, cruzando visão de si e visão dos outrosJovens adultos
1998Brennan, Clark e ShaverReuniram muitas escalas e chegaram a duas dimensões, ansiedade e evitaçãoAdultos

A “Situação Estranha” (Strange Situation) é uma observação de laboratório criada por Ainsworth: numa sala desconhecida com brinquedos, o cuidador sai duas vezes, na primeira deixando a criança com um estranho e na segunda a deixando sozinha, e depois volta. O que mais interessa aos pesquisadores é o que a criança faz no reencontro. Uma vai direto ao cuidador, se acalma e volta a brincar (seguro); outra concentra a atenção nos brinquedos e evita o cuidador (evitativo); e outra fica grudada e brava, difícil de consolar, e não volta a brincar (ansioso-ambivalente) (Ainsworth et al., 1978). Depois Main e Solomon notaram crianças cujas reações não cabiam nas três categorias, como se aproximar do cuidador com cara de medo ou congelar quando ele volta, e criaram uma quarta, a “desorganizada” (Duschinsky, 2018). Essa reação aparece em cerca de 15% das crianças de famílias de classe média, e pode ser duas a três vezes mais frequente em grupos de alto risco, como os de maus-tratos (van IJzendoorn et al., 1999).

A chave para entender os tipos de apego: os eixos ansiedade × evitação

A forma mais usada de descrever o apego adulto é ver onde a pessoa cai em duas dimensões, ansiedade de apego e evitação de apego, e os quatro tipos são só os quatro cantos desse mapa.

  • Ansiedade de apego (attachment anxiety): medo de ser rejeitado ou deixado, com muita necessidade da resposta do outro para confirmar “eu sou amado”.
  • Evitação de apego (attachment avoidance): desconforto com intimidade e dependência, tendência a resolver tudo sozinho e manter uma distância segura das pessoas.
Mapa dos estilos de apegoO eixo horizontal é a evitação (desconforto com a proximidade); o eixo vertical é a ansiedade (medo do abandono). Juntos, eles formam quatro padrões de apego; Ansioso: Busca proximidade, teme o abandono; Desorganizado / medroso-evitativo: Quer proximidade, teme se machucar; Seguro: Fica bem perto ou longe; Evitativo / desapegado: Valoriza a independência, se afastaAnsiosoBusca proximidade,teme o abandonoDesorganizadomedroso-evitativoQuer proximidade,teme se machucarSeguroFica bem perto oulongeEvitativodesapegadoValoriza aindependência, seafastaBaixaAltaEvitação (desconforto com a proximidade) →BaixaAltaAnsiedade (medo do abandono) →
O apego é um espectro, não uma caixinha: a maioria das pessoas fica perto de uma área e pode mudar com o tempo e de uma relação para outra.

Brennan, Clark e Shaver (1998) reuniram 60 subescalas e 323 itens das escalas de apego adulto da época e viram surgir dois fatores quase sem relação entre si, justamente ansiedade e evitação; ao dividir as pessoas pelas duas pontuações, os quatro grupos ficaram bem parecidos com a classificação de Bartholomew. Bartholomew usava outra linguagem, “como eu me vejo” e “como vejo os outros”, que dá para mapear grosso modo em ansiedade (pouca confiança em si) e evitação (pouca confiança nos outros) (Bartholomew & Horowitz, 1991).

A mesma casa tem vários nomes em pesquisas e textos da internet, e esta tabela de equivalências vale guardar:

Nosso testeAnsiedade / evitaçãoQuatro categorias adultasOutros nomes
Apego seguroBaixa / baixaSeguroApego seguro
Apego ansiosoAlta / baixaPreocupadoAnsioso-preocupado, ansioso-ambivalente
Apego evitativoBaixa / altaDesdenhosoEsquivo, evitante, desapegado
Apego desorganizadoAlta / altaTemerosoTemeroso-evitativo

As quatro categorias da coluna do meio vêm de Bartholomew e Horowitz (1991); os nomes originais em inglês são, na ordem, secure, preoccupied, dismissing e fearful, e ajudam quando você lê a literatura em inglês.

Voltando à infância, as quatro casas correspondem, de forma geral, aos tipos seguro, ansioso-ambivalente, evitativo e desorganizado. Mas é uma correspondência conceitual: o tipo da infância é comportamento observado, e o do adulto é pontuação de autorrelato, então não dá para igualar os dois.

O modelo de dois eixos traz dois lembretes bem práticos. Primeiro: apego é espectro, não caixinha. Fraley e colegas (2015) usaram uma análise taxométrica para testar se o apego adulto é feito de “tipos” ou de dimensões contínuas, e o resultado apoiou a segunda opção. Então, em vez de “você é ansioso”, o mais preciso é “sua pontuação de ansiedade é alta”; quem fica perto de uma fronteira costuma ter traços dos dois tipos. Segundo: os dois eixos são independentes. Ansiedade alta não significa evitação baixa, e as duas altas caem na casa do desorganizado.

Os dois eixos também correspondem a dois jeitos de lidar com as emoções. Em quem tem ansiedade alta, diante de uma ameaça o sistema de apego tende a “hiperativar”: o alarme aumenta e a pessoa segura o outro com mais força. Em quem tem evitação alta, ele tende a “desativar”: a pessoa se afasta, reprime o que sente e leva a atenção para outra coisa (Mikulincer & Shaver, 2019).

O nosso Teste de estilo de apego segue essa lógica: 14 perguntas de situação somam as duas pontuações, ansiedade e evitação, e depois colocam você numa das quatro casas a partir das fronteiras dos dois eixos. A página de resultado também mostra as duas pontuações, para você ver a que distância da fronteira está.

As características dos quatro tipos de apego: seguro, ansioso, evitativo e desorganizado

A diferença entre os quatro tipos não está em amar mais ou menos, e sim em como cada um volta a se sentir seguro quando a insegurança aparece.

TipoCrença de baseReflexo na insegurançaO que o parceiro costuma sentir
SeguroEu mereço amor e você é confiávelFalar e resolver juntoEstabilidade, boa conversa
AnsiosoTenho medo de não ser bom o bastante e de você ir emboraConferir, e conferir de novoSer necessário e também perseguido
EvitativoEu me viro; depender é arriscadoRecuar e digerir sozinhoConfiável, mas difícil de alcançar
DesorganizadoQuero ser amado, mas temo que amar machuqueEsquenta e esfriaDifícil de decifrar, cansativo

O reflexo da terceira coluna fica mais claro numa mesma cena. O celular vibra: a pessoa de apego seguro dá uma olhada, sabe que pode responder depois e continua com a bebida quente na mão; a ansiosa aperta o aparelho com as duas mãos, querendo saber já o que veio; a evitativa enfia o celular no bolso e arruma o fone; e a desorganizada estica a mão, hesita e a recolhe em silêncio. Nenhuma reação é certa ou errada; cada uma é o caminho de volta à segurança que a pessoa conhece melhor.

Uma capivara e uma lontra sentadas juntas no mesmo banco de madeira quando os celulares vibram: a capivara olha de relance e segue tomando chá, a lontra aperta o celular com as duas mãos, tensa
A mesma notificação: o seguro olha e segue tomando chá, o ansioso aperta o celular.

Apego seguro (Ipê de raiz funda): ansiedade baixa, evitação baixa

Quem tem apego seguro também sente insegurança; a diferença é que, quando ela chega, é mais capaz de dizer em voz alta. Se a outra pessoa fica até tarde no trabalho e não responde, pensa “deve estar na correria” e pergunta à noite; numa briga, consegue dizer “vamos respirar dez minutos” e volta mesmo depois disso. O ponto cego é se acostumar tanto a ser “a parte estável” que engole as próprias fases ruins; diante de um parceiro com ansiedade ou evitação altas, essa estabilidade ainda pode ser lida como “você não liga”. O que o apego seguro faz sob estresse e se dá para virar seguro depois estão em Apego seguro: características, causas e como chegar lá.

Apego ansioso (Detetive do vácuo): ansiedade alta, evitação baixa

Quem tem apego ansioso deseja muita proximidade e é sensibilíssimo às mudanças de temperatura na relação: a outra pessoa ficou mais seca, respondeu story de um amigo e não o seu, e o teatrinho mental já entra em cartaz. Essa sensibilidade faz a pessoa perceber os problemas antes dos outros e se entregar por inteiro; o difícil é que o valor próprio fica depositado na velocidade da resposta alheia, o que leva a conferir sem parar ou até a “esfriar de propósito” para testar, e isso acaba afastando o outro. Os gatilhos do apego ansioso e o que acalma estão em Apego ansioso: sinais, causas e como se acalmar.

Apego evitativo (Ilha autossuficiente): ansiedade baixa, evitação alta

Quem tem apego evitativo (também chamado de esquivo ou desdenhoso) cuida bem de si e não terceiriza a felicidade. Só que, quando a relação chega a uma certa proximidade, a ponte levadiça sobe sozinha: a pessoa desvia do assunto quando perguntam “o que a gente é?”, some depois das brigas e diz “tô bem” quando não está. Não quer dizer que não ame; parece mais que “depender” nunca foi muito seguro na experiência dela. Sobre como combinar um tempo para esfriar e como se relacionar com ela, leia Apego evitativo: características, causas e como se relacionar.

Apego desorganizado (Gato do vai e vem): ansiedade alta, evitação alta

O apego desorganizado (na pesquisa com adultos, geralmente “temeroso”) combina ansiedade e evitação altas: a pessoa quer muito ser amada e teme se machucar depois de se aproximar. Quando o outro se aquece, dá vontade de recuar; quando ele recua, dá pânico; nem ela sabe direito “o que eu quero”. Esse padrão costuma se ligar a experiências passadas em que proximidade e mágoa vieram juntas, mas nem todo mundo teve um trauma evidente, e não é uma doença. Para esse tipo, o primeiro passo não é se forçar a confiar de vez, e sim achar uma relação estável o bastante para ir testando aos poucos, e, se precisar, organizar isso com um psicólogo. Para entender como essa vontade de chegar perto e fugir se forma e vai afrouxando, leia Apego desorganizado: por que dá vontade de chegar perto e fugir.

Os tipos de apego na vida real: WhatsApp, gelo, conhecer a família e namoro à distância

Diante da mesma cena pequena, cada tipo de apego lê um roteiro completamente diferente, e é por isso que muito casal sente cansaço sem ter brigado por nada grande.

Ansioso e evitativo:

SituaçãoAnsiosoEvitativo
Visualizada há duas horasFalei alguma besteira?Melhor assim
Gelo depois da brigaCorre atrás para terminar de falarSome primeiro
Conhecer a famíliaMedo de não ser aprovadoAdia o quanto der
Namoro à distânciaSem chamada de vídeo, fica inseguroAcha na medida
“Preciso de espaço”Será que acabou o amor?Que ótimo

Seguro e desorganizado:

SituaçãoSeguroDesorganizado
Visualizada há duas horasDeve estar ocupadoQuer mandar e não tem coragem
Gelo depois da brigaMarca hora para conversarQuer fazer as pazes e quer fugir
Conhecer a famíliaNervoso, mas animadoAceita e depois se arrepende
Namoro à distânciaCombina o horário da chamadaOra grudado, ora frio
“Preciso de espaço”Beleza, quando a gente se vê?Alívio e pânico juntos

As duas tabelas são só um lembrete, e não é preciso se encaixar de pronto. Quando você acha o outro “exagerado” ou “frio”, pode ser que ele esteja lendo a mesma coisa com o roteiro de apego dele.

A armadilha ansioso-evitativo: por que quem mais se atrai é quem mais cansa?

Ansiosos e evitativos costumam andar juntos e travam com frequência no ciclo de “um persegue, um recua”: quanto mais insegurança sente o ansioso, mais confere; quanto mais é perseguido, mais o evitativo se afasta, e o recuo do outro deixa o ansioso ainda mais certo de que “ele vai embora mesmo”. É a cena típica do gelo: um segura o celular querendo terminar a conversa, o outro põe o fone e olha pela janela.

Uma lontra e um coelho sentados nas pontas de um mesmo sofá, com uma faixa vazia de almofadas no meio; o coelho de fones olha pela janela e a lontra segura o celular como quem vai falar
Um quer terminar de falar, o outro some nos fones: quanto um aperta, mais o outro foge.

A pesquisa vê uma tendência de pares parecida. Kirkpatrick e Davis (1994) acompanharam 354 casais heterossexuais que namoravam, e a amostra não tinha nenhum par “ansioso com ansioso” nem “evitativo com evitativo”; já as relações com um homem evitativo ou com uma mulher ansiosa foram mal avaliadas pelos dois no começo, e três anos depois estavam surpreendentemente estáveis. Só que é um estudo americano dos anos 1990, e o resultado por gênero não vale necessariamente para hoje. O que se aproveita é a conclusão: uma relação desconfortável nem sempre acaba sozinha, às vezes só fica emperrada.

Para desfazer o ciclo, cada lado recua um passo: o ansioso troca “você me ama ou não?” por um pedido concreto, e o evitativo troca o “sumir” por dizer quando volta. Se vocês sentem que “eu me esforço muito e a outra pessoa não recebe”, vale ler junto as linguagens do amor: o apego fala de onde vem a segurança, e as linguagens do amor falam do jeito de cada um mostrar que se importa.

Como os tipos de apego se formam? Podem mudar?

O estilo de apego tem a ver com o crescimento e as experiências de relação, tem estabilidade moderada e se move aos poucos com a idade e com novas relações, sem ser sentença para a vida toda.

Causas: o cuidado recebido é o começo, mas não o único roteiro

A teoria do apego sustenta que a estabilidade e a previsibilidade da resposta do cuidador são o ponto de partida dos modelos internos da criança (Bretherton, 1992). Pesquisas com adultos apoiam essa direção: um levantamento americano representativo do país mostrou que adversidades interpessoais na infância se associam fortemente ao apego inseguro na vida adulta (Mickelson et al., 1997).

Mas “a culpa é toda da família” também não procede. Mesmo no apego desorganizado da infância, van IJzendoorn e colegas (1999) apontam que comportamentos assustadores do cuidador podem ter papel importante, sem serem a única causa. As amizades, os namoros, os términos e as vezes em que você foi bem acolhido também vão reescrevendo esse roteiro.

Como o apego se forma: um ciclo que pode ser reescritoCuidados na infância (O acolhimento era constante e previsível?) → O que você espera das pessoas (Eu mereço amor? As pessoas vão estar lá?) → Como você age nas relações (Procura, confere ou se afasta) → Como a outra pessoa responde (Acolhe, ignora ou afasta); Realimenta as expectativas: → O que você espera das pessoas; As expectativas não são gravadas em pedra: as amizades e relações que vêm depois, e cada vez que alguém está de verdade ao seu lado, reescrevem aos poucos esse ciclo.Realimenta as expectativasCuidados na infânciaO acolhimento era constante eprevisível?O que você espera daspessoasEu mereço amor? As pessoas vãoestar lá?Como você age nas relaçõesProcura, confere ou se afastaComo a outra pessoarespondeAcolhe, ignora ou afasta
As expectativas não são gravadas em pedra: as amizades e relações que vêm depois, e cada vez que alguém está de verdade ao seu lado, reescrevem aos poucos esse ciclo.

Estabilidade: o que significa r = 0,39?

Pinquart e colegas (2013) reuniram 127 estudos e mais de 21 mil avaliações de apego, do bebê ao início da vida adulta, e a correlação média entre duas medições foi r = 0,39, uma estabilidade de nível moderado; quanto maior o intervalo, menos estável, e depois de mais de 15 anos deixa de ser significativa. A metanálise de Fraley (2002) também viu estabilidade moderada da segurança de apego nos primeiros 19 anos de vida: as primeiras experiências deixam efeito, mas não explicam tudo.

Em linguagem simples: a infância deixa marcas, mas funciona mais como “configuração padrão” do que como código gravado em pedra.

Para onde muda: idade, relações e a “segurança conquistada”

Chopik e colegas (2019) juntaram três amostras longitudinais, com 628 pessoas, para estimar mudanças dos 13 aos 72 anos: a ansiedade de apego cai em média com a idade, mais na meia-idade e na velhice; a evitação cai devagar do começo ao fim; e quem está numa relação de casal pontua menos nas duas. Arriaga e colegas (2018) revisaram a pesquisa e propuseram que os dois eixos afrouxam de jeitos diferentes: a ansiedade cai mais em situações que aumentam a confiança em si, e a evitação cai mais em experiências de “depender do outro e dar tudo certo”.

A “segurança conquistada” (earned security) designa quem teve uma infância difícil e desenvolveu na vida adulta um apego seguro. A ideia é animadora, mas discutida: um acompanhamento de 23 anos viu que quem era classificado como “conquistado” por lembranças posteriores não necessariamente havia tido infância mais dura; já quem foi acompanhado desde bebê e de fato saiu da insegurança para a segurança cuidou bem das relações íntimas na vida adulta (Roisman et al., 2002). A mudança acontece, só não convém imaginá-la como uma virada dramática.

Apego evitativo não é transtorno de personalidade: qual é a diferença?

O apego evitativo descreve o hábito de manter distância nas relações íntimas, enquanto o transtorno de personalidade evitativa (avoidant personality disorder) é um diagnóstico que exige avaliação profissional e afeta vários âmbitos da vida; os dois não são a mesma coisa.

Os dois aparecem juntos nas buscas, e as diferenças são estas:

ComparaçãoApego evitativoTranstorno de personalidade evitativa
O que éTendência nas relações, comumDiagnóstico psiquiátrico de personalidade
Sentimento centralDesconforto em depender, hábito de se virarSentir-se inadequado, temer muito a crítica
Atitude diante da proximidadeCostuma achar que não precisa muito dos outrosDeseja se ligar, mas evita por medo de rejeição
AlcanceSobretudo as relações íntimasTrabalho, amizades e vários outros âmbitos
Como avaliarQuestionário de autorrelato mostra a tendênciaPsicólogo ou psiquiatra, com critérios diagnósticos

Segundo a Cleveland Clinic, a prevalência do transtorno de personalidade evitativa nos Estados Unidos é estimada em 1,5% a 2,5%, e o tratamento principal é a psicoterapia. Seu jeito de “querer se aproximar, mas temer a rejeição” lembra, na descrição, mais a casa em que os dois eixos são altos do que o evitativo puro; é só uma analogia para ajudar a entender, e não uma correspondência diagnóstica. Se sua dúvida é sobre o segundo caso, procure um profissional e não use nenhum teste online para se diagnosticar, o nosso incluído.

Caminhar para o apego seguro: exercícios de cada tipo e quando pedir ajuda

Para deixar o apego mais seguro, mais útil do que trocar de parceiro é treinar dizer com clareza no lugar de adivinhar e fugir quando a insegurança aparece, e procurar ajuda profissional quando for preciso.

Comece por um exercício que serve para os quatro tipos: nas próximas duas semanas, toda vez que surgir uma insegurança ou vontade de fugir clara na relação, anote três coisas: o fato que aconteceu, a interpretação que apareceu sozinha na sua cabeça e o que você de fato fez. Depois de algumas vezes, você começa a enxergar a cara dos seus gatilhos, e isso é o primeiro passo da mudança.

Um gato rajado de cachecol vermelho sentado à escrivaninha junto à janela, mordendo o lápis diante de um caderno aberto e em branco, com chá quente e uma plantinha ao lado
Escrever separados o fato, a interpretação e a ação faz os gatilhos aparecerem.

Como o gato da imagem, não precisa escrever bonito: poucas palavras-chave bastam, desde que fique registrado. Depois de algumas anotações, escolha uma coisa para treinar conforme o seu tipo, em linha com o que a pesquisa indica: quem tem ansiedade mais alta precisa sentir “eu tenho valor” também fora da relação; quem tem evitação mais alta precisa de várias experiências de “depender e ficar tudo bem” (Arriaga et al., 2018); e o desorganizado, com os dois eixos altos, aproveita os dois tipos de experiência.

TipoUm exercício para começarUma frase para usar direto
AnsiosoQuando der vontade de mandar várias mensagens, esperar 20 minutos antes de decidir“Hoje estou com o coração apertado. Antes de dormir, você me manda um boa noite?”
EvitativoQuando precisar de espaço, dizer quando volta“Preciso de uma hora para me organizar. Volto às nove para a gente continuar.”
DesorganizadoDizer a contradição em vez de mostrá-la em atitudes“Agora quero ficar perto e também fugir um pouco, e não é culpa sua.”
SeguroQuando for a sua vez de estar frágil, deixar o outro cuidar“Esta semana foi puxada. Hoje é você quem cuida de mim, pode ser?”

Quando buscar ajuda profissional? Se a insegurança ou o esquenta e esfria na relação já afeta o sono, o trabalho ou as amizades, ou se lembrar do passado machuca muito, conversar com um psicólogo é uma ótima escolha. Se você está num momento muito difícil ou pensando em se machucar, o CVV atende pelo 188, gratuito, 24 horas por dia, também por chat e e-mail. Em risco imediato, ligue para o SAMU (192) ou para a polícia (190); em caso de violência ou ameaça na relação, mulheres também podem ligar para o Ligue 180, gratuito e 24 horas.

Para ver sua posição nos dois eixos, faça o Teste de estilo de apego e depois leia o texto sobre o apego seguro, ansioso, evitativo ou desorganizado. O resultado é só a sua coordenada no mapa hoje, e ela ainda vai se mover.

Faça o teste

Perguntas frequentes

Quais são os quatro tipos de apego?

Os quatro tipos mais citados são o seguro, o ansioso, o evitativo e o desorganizado (na pesquisa com adultos, também chamado de temeroso). Eles resultam de duas dimensões: ansiedade de apego (quanto você teme ser deixado) e evitação de apego (quanto depender dos outros te incomoda). As duas baixas dão o seguro, só a ansiedade alta dá o ansioso, só a evitação alta dá o evitativo, e as duas altas dão o desorganizado.

Qual é a diferença entre apego e vínculo?

Nenhuma de fundo: em português, “apego” e “vínculo” costumam traduzir o inglês attachment, e a teoria do apego também aparece como teoria do vínculo. Do mesmo modo, evitativo, esquivo e evitante são traduções de avoidant. Vale saber que “apego” é o termo mais comum em pesquisa e nas buscas, e que ele descreve tendências nas relações, não uma categoria oficial de personalidade.

O tipo de apego pode mudar?

Pode, em geral aos poucos. Uma metanálise encontrou estabilidade moderada da segurança de apego: quanto maior o intervalo entre as medições, menos estável, e depois de mais de 15 anos a relação deixa de ser significativa. Estudos longitudinais também mostram que, em média, ansiedade e evitação caem com a idade, e que quem tem parceiro pontua menos nas duas.

Apego evitativo é o mesmo que transtorno de personalidade evitativa?

Não. O apego evitativo é uma tendência comum, que aparece sobretudo em relações íntimas. O transtorno de personalidade evitativa é um diagnóstico que exige avaliação de psicólogo ou psiquiatra: gira em torno de se sentir inadequado o tempo todo e temer muito a crítica e a rejeição, o que atinge trabalho, amizades e vários outros âmbitos da vida.

O teste de apego é confiável?

Um teste de autorrelato mostra sua tendência atual nas relações, mas não é diagnóstico. O resultado é influenciado pela fase da vida e da relação, e quem fica perto de uma fronteira pode ter traços de dois tipos. O melhor uso é como ponto de partida para observar em que situações você fica mais inseguro ou tem mais vontade de fugir.

O que acontece quando um ansioso e um evitativo ficam juntos?

É comum um ciclo de perseguir e recuar: quanto mais inseguro o ansioso, mais confere; quanto mais cobrado, mais o evitativo se afasta. Um estudo de 1994 com 354 casais não achou nenhum par ansioso com ansioso nem evitativo com evitativo, e relações com homem evitativo ou mulher ansiosa foram mal avaliadas, porém estáveis. O caminho é o ansioso fazer pedidos específicos e o evitativo dizer quando volta.

Referências

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Os testes e artigos servem apenas para autorreflexão e não são aconselhamento, diagnóstico nem tratamento médico. Se você precisar de apoio, procure um profissional qualificado ou ligue para o CVV no 188 (gratuito, 24 horas).

Escrito pela equipe editorial do Type of You com ajuda de IA na pesquisa e na redação, e conferido linha por linha com as referências listadas abaixo. As ilustrações são geradas por IA a partir dos nossos próprios personagens.